Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Há pessoas que surgem
assim como se nasce
sem saber de onde
sem saber porquê
acompanham-nos
vagueando parecendo
as fadinhas como a Sininho.
Vão penetrando
de mansinho
pelos poros
da nossa pele
muitas vezes
sem compreendermos
a importância
que têm
vão conquistando
um espaço que está livre
no nosso coração.
São persistentes
não desistem de chegar`
à alma
buscam encontrar-se
na paz
da complementariedade
para abraçar
talvez uma alma gémea
que existe...
sim
existe na efemeridade
da nossa curta eternidade.

Emílio Casanova
Insónia atravessa-se 
na cama
contigo na mente

lá fora total silêncio
aflora recolhimento
numa branda chuva
solitária
que inunda a sexta
madrugada
em fim de semana
casada

visitas-me
nua e bela

invades meu sono
banalizas sonhos
efémeros

olhas-me no brilho
da noite
trazendo o dia
na fadiga
de meu corpo

porque me visitas
insónia
porque no meu sonho
não coabitas

porque me queres
acordado

porque não me libertas
porque não sonhas 
comigo

lá fora melros
ensaiam
o dia

emílio casanova, "Quotidianos

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Deixa-me...ou acerta-me
põe-me ao teu ritmo
faz-me circular
acordar
preparar...
quando paras
desorientas-me
anda...
preciso de ti
amo-te... quando 
me dás tempo...
odeio-te
se te atrasas...
embirro quando 
me tiras do tempo...
estás a demorar tanto
olha...ficamos 
sem tempo.


emílio casanova...
Amar

Quero inventar contigo
Recuperar tempo perdido 
de tormenta... 
Quero namorar contigo
Retornar teus sentidos 
do tempo afastado...
Quero cheirar teu corpo
Saciar meus desejos
Afagar teus seios
Quero namorar contigo
Num Arpoador aluado
Com escuro cúmplice
sem sombra de dor...
Como amantes enamorados
Quero reacender a chama
Afastar cinzas traiçoeiras
Dum amor latente
sempre presente...
Quero respirar pela tua boca
Doce
muito docemente...
Como a brisa afaga e penetra no mar...

Quero te amar perdidamente

Emílio Casanova, "Coisas do Amor"
Quando parei no stop
nunca pensei entrar em
choque
teus olhos deitavam
mar
num verde de sol
sorriste no vermelho
dos teus lábios
inverteste-me
numa contramão apressada
segui-te
pura ilusão...
foi sorriso...só sorriso
e mais nada.

emílio casanova, in "Quotidianos"
Porquê subtrair das
veias teu sangue
seiva rubra e
alva...

porquê sumir
da tua vida 
olvidando ...
quem entra
no sangue da gente
habita
nossa alma

velha máxima
que passa
e não passa...
que nos seduz
mesmo quando
se quer coração reduzido
à condição...
de esquecer

somar somar
sem fim...
na busca
de atrapalhar
quem de mim
já não gosta...

quem diz
que não quer
o melhor
será não esquecer...
esquecendo subtraindo
estará sempre
mentindo...

coração não subtrai
coração enche
fica sempre
com a gente...
mesmo no amor
ausente.

emílio casanova

terça-feira, 17 de abril de 2012