Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 15 de abril de 2012

Teu rosto com madeixas caídas
de teu cabelo despenteado
lembrava lua branca
com nuvens esvoaçando
como andorinhas brancas
na primavera namorando.

Teu nome
tem sorrisos de criança
pende do teu corpo
graça e elegância grega
esculpida
no mármore branco
em marcas verdes do infinito
virgem da eternidade.

Meu vermelho sangue agita-se
em veias estreitas
na busca da liberdade
infinita dos amantes.

Corre por atalhos rudes
marcados pelas cinzas
sem luzes
casados com as estrelas.

Acelerado na busca
dos raios da esperança
e do sol no reino do amor
segui a estrela bela
iluminando minha fonte
brotando dos cimos dos montes.

Corri campos ondulados
atravessei ribeiros estreitos
rios suaves
desaguei no ventre do teu mar
minha terra doce
alva e florida
paraíso de magia que me liberta
dos grilhões da agonia.

Em paz fiquei nos braços de Afrodite
que me esperava sonhando ternamente
como seu amante
de sempre.

Emílio Casanova, in "Maria"

sábado, 14 de abril de 2012

Outros horizontes

Na encosta diminuta e suave 
que avisto de minha casa
segue a estreita estrada 
marcada pelas oliveiras
cobertas de brilhantes frutos negros 
que mais tarde iluminam 
nossos corpos e nossas almas
vejo meus amigos 
elegantemente vestidos de negro 
como sempre com sua gravata colorida
seus bicos laranja se destacam
debicando na terra escura 
esverdeada coberta de frutos
revoam chilreando 
na passagem da velha camioneta
desafiando crianças compenetradas 
a caminho da escola
que a hora silenciosa comanda
os melros sabem
as janelas já se abriram 
gatos espreguiçando-se nos parapeitos
espreitam a criançada
o sol sabe que os anima
dos vidros da minha janela observo 
este bucolismo e silêncio a que pertenço
do café na cozinha vem o cheiro 
distinto envolto em fumos 
de curvas esculturais que me associam
a momentos quentes
de tempos tropicais 
de calores asfixiantes 
reconfortantes e sensuais
sabor na boca pensamentos na mente
de café em café me transporto 
para outros horizontes
outras gentes 
que amo…que amarei eternamente.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"

sexta-feira, 13 de abril de 2012

...

Ouvi agora
algures nas news
hoje treze
sexta
dia internacional do beijo

como assim...

internacional o beijo
beijo o internacional
qual quê...

beijo é particular
beijo é nosso
beijo não tem tempo
beijo é o momento
beijo não despede
beijo não chega

beijo é beijo
beijo é a delícia da prova
que aproxima a alma
que a renova

beijo não tem dia
muito menos internacional
beijo é nosso
popular
local

beijo vive
em lábios doces
abre caminhos
não tem idade
não tem história
sobrevive
à memória.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
Meu chão

procuro meu chão na poesia

as raízes duma civilização
tomaram conta
do meu lugar

quero a inteligência das pedras
que me viram crescer
das plantas que cuidei
das amizades que reguei

ofuscaram minha visão
com novos muros em construção
casas vejo que não via

onde estão caminhos que percorri
vejo-os nos novos
como se lá estivessem
sobrepostos

as hortas e seus pomares
ficaram nas sombras
de novos sabores
novos cheiros

restas nas rugas da minha mente
nas artérias do meu pensamento
vives comigo
mas já não existes
meu chão.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Minha ânsia pela vida
faz-me dar passos
ao encontro da loucura,

lado a lado
tropeço...
enrolo...
ergo-me nas pontas
das asas...
em desequilíbrio perfeito
na plenitude do viver,

cordilheiras altivas
são minhas irmãs
acolhem águias
que deslizam pelos céus
em espirais
marcadas pela perfeição
da natureza,

paixão...amor...
são os frutos da alma,

loucos todos temos
um pouco...
felizmente... uns mais do que
outros.

emílio casanova, in "Maria"