Outros horizontes
Na encosta diminuta e suave
que avisto de minha casa
segue a estreita estrada
marcada pelas oliveiras
cobertas de brilhantes frutos negros
que mais tarde iluminam
nossos corpos e nossas almas
vejo meus amigos
elegantemente vestidos de negro
como sempre com sua gravata colorida
seus bicos laranja se destacam
debicando na terra escura
esverdeada coberta de frutos
revoam chilreando
na passagem da velha camioneta
desafiando crianças compenetradas
a caminho da escola
que a hora silenciosa comanda
os melros sabem
as janelas já se abriram
gatos espreguiçando-se nos parapeitos
espreitam a criançada
o sol sabe que os anima
dos vidros da minha janela observo
este bucolismo e silêncio a que pertenço
do café na cozinha vem o cheiro
distinto envolto em fumos
de curvas esculturais que me associam
a momentos quentes
de tempos tropicais
de calores asfixiantes
reconfortantes e sensuais
sabor na boca pensamentos na mente
de café em café me transporto
para outros horizontes
outras gentes
que amo…que amarei eternamente.
emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
sábado, 14 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
...
Ouvi agora
algures nas news
hoje treze
sexta
dia internacional do beijo
como assim...
internacional o beijo
beijo o internacional
qual quê...
beijo é particular
beijo é nosso
beijo não tem tempo
beijo é o momento
beijo não despede
beijo não chega
beijo é beijo
beijo é a delícia da prova
que aproxima a alma
que a renova
beijo não tem dia
muito menos internacional
beijo é nosso
popular
local
beijo vive
em lábios doces
abre caminhos
não tem idade
não tem história
sobrevive
à memória.
emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
Ouvi agora
algures nas news
hoje treze
sexta
dia internacional do beijo
como assim...
internacional o beijo
beijo o internacional
qual quê...
beijo é particular
beijo é nosso
beijo não tem tempo
beijo é o momento
beijo não despede
beijo não chega
beijo é beijo
beijo é a delícia da prova
que aproxima a alma
que a renova
beijo não tem dia
muito menos internacional
beijo é nosso
popular
local
beijo vive
em lábios doces
abre caminhos
não tem idade
não tem história
sobrevive
à memória.
emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
Meu chão
procuro meu chão na poesia
as raízes duma civilização
tomaram conta
do meu lugar
quero a inteligência das pedras
que me viram crescer
das plantas que cuidei
das amizades que reguei
ofuscaram minha visão
com novos muros em construção
casas vejo que não via
onde estão caminhos que percorri
vejo-os nos novos
como se lá estivessem
sobrepostos
as hortas e seus pomares
ficaram nas sombras
de novos sabores
novos cheiros
restas nas rugas da minha mente
nas artérias do meu pensamento
vives comigo
mas já não existes
meu chão.
emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
procuro meu chão na poesia
as raízes duma civilização
tomaram conta
do meu lugar
quero a inteligência das pedras
que me viram crescer
das plantas que cuidei
das amizades que reguei
ofuscaram minha visão
com novos muros em construção
casas vejo que não via
onde estão caminhos que percorri
vejo-os nos novos
como se lá estivessem
sobrepostos
as hortas e seus pomares
ficaram nas sombras
de novos sabores
novos cheiros
restas nas rugas da minha mente
nas artérias do meu pensamento
vives comigo
mas já não existes
meu chão.
emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Minha ânsia pela vida
faz-me dar passos
ao encontro da loucura,
lado a lado
tropeço...
enrolo...
ergo-me nas pontas
das asas...
em desequilíbrio perfeito
na plenitude do viver,
cordilheiras altivas
são minhas irmãs
acolhem águias
que deslizam pelos céus
em espirais
marcadas pela perfeição
da natureza,
paixão...amor...
são os frutos da alma,
loucos todos temos
um pouco...
felizmente... uns mais do que
outros.
emílio casanova, in "Maria"
faz-me dar passos
ao encontro da loucura,
lado a lado
tropeço...
enrolo...
ergo-me nas pontas
das asas...
em desequilíbrio perfeito
na plenitude do viver,
cordilheiras altivas
são minhas irmãs
acolhem águias
que deslizam pelos céus
em espirais
marcadas pela perfeição
da natureza,
paixão...amor...
são os frutos da alma,
loucos todos temos
um pouco...
felizmente... uns mais do que
outros.
emílio casanova, in "Maria"
sem saber
nem como nem porquê
apareci no bus
sem alternativa
só com um destino
giro e giro
curvo
e nasço
com sol no rosto
lua nos olhos
muito desgosto
sempre com muita gente
que faz o bus
cada vez estar mais cheio
água...ar...
fogo...terra
petróleo
gás
poluição...carros
gente e mais
gente
na confusão
minha terra
pouca terra...minha terra
vou contigo
na esperança
da ressurreição...
emílio casanova
nem como nem porquê
apareci no bus
sem alternativa
só com um destino
giro e giro
curvo
e nasço
com sol no rosto
lua nos olhos
muito desgosto
sempre com muita gente
que faz o bus
cada vez estar mais cheio
água...ar...
fogo...terra
petróleo
gás
poluição...carros
gente e mais
gente
na confusão
minha terra
pouca terra...minha terra
vou contigo
na esperança
da ressurreição...
emílio casanova
quinta-feira, 5 de abril de 2012
páscoa desdentada
bela côdea
amarelada
tostada
que cairá
no oceano faminto
do estômago
como um meteorito
…
em velocidade
da luz
plena de aceleração
diluiu-se
qual algodão
doce
num espaço
de consolação
...
famintos de abrigo
desdentados
da sorte
miram-se nas vitrines
de néons
procurando
seus olhos
...
sem coragem
cobrem-se de cartão
dormem
numa qualquer
calçada
duma qualquer cidade
numa rua
que não é sua
...
reconfortam-se
nas migalhas diminutas
duma embalagem
qualquer
com cheiro
de cheiro a cacau
...
dos ovos
dos coelhos
saídos de capital
chapéu
matam seu prazer
na Páscoa
de um deus qualquer
emílio casanova
bela côdea
amarelada
tostada
que cairá
no oceano faminto
do estômago
como um meteorito
…
em velocidade
da luz
plena de aceleração
diluiu-se
qual algodão
doce
num espaço
de consolação
...
famintos de abrigo
desdentados
da sorte
miram-se nas vitrines
de néons
procurando
seus olhos
...
sem coragem
cobrem-se de cartão
dormem
numa qualquer
calçada
duma qualquer cidade
numa rua
que não é sua
...
reconfortam-se
nas migalhas diminutas
duma embalagem
qualquer
com cheiro
de cheiro a cacau
...
dos ovos
dos coelhos
saídos de capital
chapéu
matam seu prazer
na Páscoa
de um deus qualquer
emílio casanova
Árvore só, no jardim
florida na primavera
frutada em outonos
plena de sabedoria
aproxima o mundo de mim.
Se jardineiro fosse
tudo aprenderia :
- árvore
semente
flor
rebento
fruto
que momento mais
sem tempo
para perceber do todo
a vida em nascimento.
Terra
fruto...
fruto
terra...
unidos em Newton
na gravidade
nascem na natureza
que nos envolve
nos abraça
em estrelas
planetas
cometas
na permanente eternidade.
E nós, humanidade
do sentido da vida
buscamos imortalidade.
emílio casanova, in "Q.P."
florida na primavera
frutada em outonos
plena de sabedoria
aproxima o mundo de mim.
Se jardineiro fosse
tudo aprenderia :
- árvore
semente
flor
rebento
fruto
que momento mais
sem tempo
para perceber do todo
a vida em nascimento.
Terra
fruto...
fruto
terra...
unidos em Newton
na gravidade
nascem na natureza
que nos envolve
nos abraça
em estrelas
planetas
cometas
na permanente eternidade.
E nós, humanidade
do sentido da vida
buscamos imortalidade.
emílio casanova, in "Q.P."
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