Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

sem saber
nem como nem porquê
apareci no bus
sem alternativa
só com um destino

giro e giro
curvo
e nasço
com sol no rosto
lua nos olhos

muito desgosto

sempre com muita gente
que faz o bus
cada vez estar mais cheio

água...ar...
fogo...terra
petróleo
gás
poluição...carros
gente e mais
gente
na confusão

minha terra
pouca terra...minha terra
vou contigo
na esperança
da ressurreição...

emílio casanova

quinta-feira, 5 de abril de 2012

páscoa desdentada

bela côdea
amarelada
tostada
que cairá
no oceano faminto
do estômago
como um meteorito

em velocidade
da luz
plena de aceleração
diluiu-se
qual algodão
doce
num espaço
de consolação
...
famintos de abrigo
desdentados
da sorte
miram-se nas vitrines
de néons
procurando
seus olhos
...
sem coragem
cobrem-se de cartão
dormem
numa qualquer
calçada
duma qualquer cidade
numa rua
que não é sua
...
reconfortam-se
nas migalhas diminutas
duma embalagem
qualquer
com cheiro
de cheiro a cacau
...
dos ovos
dos coelhos
saídos de capital
chapéu
matam seu prazer
na Páscoa
de um deus qualquer

emílio casanova
Árvore só, no jardim
florida na primavera
frutada em outonos
plena de sabedoria
aproxima o mundo de mim.

Se jardineiro fosse
tudo aprenderia :
- árvore
semente
flor
rebento
fruto
que momento mais
sem tempo
para perceber do todo
a vida em nascimento.

Terra
fruto...
fruto
terra...
unidos em Newton
na gravidade
nascem na natureza
que nos envolve
nos abraça
em estrelas
planetas
cometas
na permanente eternidade.

E nós, humanidade
do sentido da vida
buscamos imortalidade.

emílio casanova, in "Q.P."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

No abandono 
abraço a melancolia

não suporto o vento
me arrepia...
canta o rouxinol

nem música sara 
pobre cotovia
de asa ferida

sem emoção...
sem alegria...
sem música...

dentro de mim.

emílio casanova, in "Coisas do Coração"
Perguntei ás aves 
que passam
notícias do meu amor

nada sei
pressinto que não me dizem
aves não sabem
amar

talvez o vento
quem sabe...
se num momento
afagou meu amor

ninguém me cala
esta inquietação
serei ou não
residente no seu
coração

emílio casanova, in "Q.P."
Como a primavera demora
nos olhos
e também nos lábios
aguardo na proximidade
...inocente e nu
para poder morrer em ti
contente...

emílio casanova, in "Q.P."
Acho que dói tudo
por tanto desejar
ossos...cartilagens
cabeça...

no matraquear da cidade
muros de multidões
enterram terra
secam searas
cobrem-se de sombras

correm pés
movem joelhos
marcham pernas
aos milhões...

atrasados no tempo
correm...correm
na procura do regresso

fingem que tocam
instrumentos
de alegria
pobres coitados
enredam-se no centro
da cidade...

...sem felicidade

emílio casanova, in "Q.P."