Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

chamo a manhã das flores
perdida no tempo

escorre o movimento
de aves
sem vento

pela brisa doce
sinto outono
que invade

memória renasce
contigo
na luz do dia
que nos aproxima

folhagens entrelaçadas
dançam em nossos
corpos

na terra madura
penetro hastes
de luz

dia acaba de nascer
nas águas
da baía
brilhando paraíso
na ilha

emílio casanova, in "Ilha de Paquetá"

domingo, 1 de abril de 2012

preso o pássaro 
para que não me saia
da garganta


mastigo o feijão
abraçado no arroz
numa condenação
eterna
que me leva
ao sinal da cruz


dia meses anos
num mundo em mudança
engulo os enganos
sem mudança


morro na esquina
na esperança do futuro
porque só eterno
me livro...desta
mediania


emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"

Domingo...
ah...que preguiça
estou curtindo
curto...curto
neste berço alado
que me leva
pelos pensamentos
a todos
e a nenhum lado.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"

sábado, 31 de março de 2012

...Quanta terra...quanta terra
...meu Deus
...ela tinha
...era da cabeça aos pés
...meu Deus.

...Ela tinha.

...O que Deus não tinha...

emílio casanova, in "Maria"
Poesia não tem dono
não vai na procissão
é como animal selvagem
move-se descalça na floresta
sem guarda
esconde-se na folhagem
furtiva
no fim do dia
poesia amadurece nos raios da lua
animal solitário
caminha vezes e vezes
com amor
outras com ironia
muita, com dor
poesia adora andar nua
nas multidões
penetrar nos poros
na boca
nos olhos
regista recordações
para que serve na nossa vida
se não para isso
dar alegria
em cada dia.

emílio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
Como é bom ser ridículo
não existe nada melhor do que o ridículo
para mim - sou eu
o ridículo pode rir de si 
pode amar 
sem cadeias nem barreiras
descontroladamente
chorar
berrar
descontraidamente
belo
rir até doer a pele
a barriga
a bexiga
poder sentir raiva a ponto de gritar
sentir ciúme
saudade
os certinhos
bonitinhos
mauricinhos convencionais
não quero
não, nunca mais
sabes - não se expõem
não são ridículos
mas são de mais
nunca sentem
a intensidade do ser
ridículo.

emilio casanova, in "Quotidianos Poéticos"
Neste lugar...


Neste lugar onde me sento
vejo o mar...ali
três palmeiras ao lado
mágica tamarineira em frente
cheiro fresco da brisa
meu olhar sempre igual
fascinado
luz cinza...cinzenta...azul
ondula
recorta linhas de montanha
dizem que é o dedo de Deus
por mim, acho que é dedo
de não me chateiem
harmonia total
luz...mar...serra
palmeiras...aves...tamarineira
pensamento...palavra...poema
em trilogia relação
da natureza
da vida.


emílio casanova, in "Ilha de Paquetá"