Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Busca

Florescem na esquina do Chiado
teus cabelos castanhos, louros, pretos
e brancos, numa mescla de cor,
compõem-te a face gaiata
com dois olhos expressivos
de felina gata.
Tudo em ti resplandece natureza,
simplicidade, caráter, meninice e
grandeza,
num corpo amante sem idade.
Avara por elegância e pudor
deste-me migalhas de carinho
num concerto de sentimentos
em sinfonia,
entre colunas de teatro,
douradas por raios de sol.
Adorei conhecer-te na esperança
dum amor desejado.



Emílio Casanova
Foto- Embaixada Portugal-Brasil-blog
                        É preciso aprender a amar...


                  Tenho que aprender a distinguir-te
                  entre a multidão,
                  escolher o momento
                  de me apresentar
                  para me habituar a ti,
                  sentir que me farias falta
                  com saudades na ausência,
                  ficar subjugado pela fascinação,
                  encantar-me nos contornos
                  dos teus seios,
                  imaginar-me percorrendo
                  os caminhos do teu corpo,
                  ansiar pelo momento do encontro,
                  receando  por poder não agradar,
                  querer que a inteligência
                  te consuma em atos de 
                  moderna vivência,
                  num amor partilhado,
                  amando e aprendendo.
                  É preciso.


                  emílio casanova

sábado, 7 de janeiro de 2012

  Bom dia,
   nas ruas da cidade
    senti saudades. Muitas.
    Que alegria ter-te um dia
    todo inteiro só para ti.
    Um dia sem horas,
    as horas cansam,  stressam.
   Um dia com muitas nuvens,
  para te tapar,
   com muito vento, 
 para te abrigar,
  com muito escuro
 para te fazer brilhar
  e sorrir.
    (E.C)
Parti para procurar o silêncio,
o campo estava deserto.
Fiquei parado de pé
com chuva miúda na face,
encharcando meu cabelo.
Silêncio não estava por ali.
Quem vi foi pessoa
de quem sinto falta,
que não dá por mim.
Parti misturando desejo
desamor frustração.
Encontrei solidão e silêncio
na multidão,
que não dá por mim.

emílio casanova

Pintura de Miroslav Yotov ..."Song of the matter"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012







Como te devo beber
ando a pensar
não sei se será
como eu quero
se como tu queres
pouco importa
temos que nos beber
seja de que maneira
for.
Que piada tem
se nos queremos bem
e não nos engolimos
um ao outro de um trago
com a sede danada
que tenho dos teus
líquidos para me aquecer
me fazer suar
porque é no suar
que nossos corpos
libertam toda a hipocrisia
que nos limita dia a dia
e nos evita sermos
naturais.
Vou beber-te de um trago
mas sei que não matarei
a sede de ti porque
ela não se esgota num trago.
Às vezes penso que
talvez um oceano
de mares, de ondas,
de tempestades,
não será o suficiente
para travar este afrontamento
que me bate forte
na cabeça me atropela
o coração,
faz-me o sexo inchar
como tudo o que é
metamorfose, sem asas
neste caso, mas com enorme
vontade de voar para
explodir qual foguetão
da Nasa, depois de arrancar
e implodir no sexo da tua
casa onde guardas
segredos mil que nos
fazem passar para
o outro lado da via láctea
num lascivo lácteo
que nos emporcalha
mas que nos eleva
ao céu celestial
onde as freiras conventuais
nos oferecem doces
que nos acalmam
que nos fazem ficar com
vontade de esperar
sempre por mais.

emílio casanova...
foto-xan.ele.blogspot.com
VEM

Vamos juntos
Nesse caminho branco
Iluminado pelo momento
Com a tua na minha mão
Dedos nos dedos
Olhos profundos
Corações batendo
Na brisa suave dos ventos
Subindo a outros mundos


Emílio Casanova, in "Afrodite
"

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Beijo-te bela Afrodite
como se fosse teu Adónis,
Arpoador assiste ao encantamento
nas espumas do mar
donde vieste segundo a mitologia,
bela amante...mãe dos amores e das graças...
ofereço-te as romãs do meu corpo para te saciares.
Oh deusa, que reviras os olhos dos mortais,
para te amar serei imortal,
só os imortais te amam na realidade,
serei Adónis...serei Anquises...
serei todos os que escravizaste à tua beleza,
beijo-te Vénus romana...Afrodite grega,
aqui nas espumas do Arpoador,
entre Copa e Ipanema
onde se cruzam as águas do amor.

 Emílio Casanova, in "Afrodite"

 Pintura de Stela barreto