Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

terça-feira, 29 de novembro de 2011





Na encosta diminuta e suave que avisto de minha casa,
segue a estreita estrada marcada pelas oliveiras,
cobertas agora de brilhantes frutos negros que mais
tarde iluminam nossos corpos e nossas almas.
Vejo  meus amigos elegantemente vestidos
de negro como sempre com sua gravata colorida,
seus bicos laranja se destacam e debicam
na terra escura esverdeada coberta de frutos.
Revoam chilreando na passagem da velha  camioneta
desafiando crianças compenetradas a caminho da escola,
que a hora silenciosa comanda. Os melros sabem.
As janelas já se abriram.  Gatos espreguiçando-se
nos parapeitos espreitam a criançada. O sol sabe
que os anima. Dos vidros da minha janela observo
este bucolismo e silêncio a que pertenço.
Do café na cozinha vem o cheiro distinto envolto
em  fumos de curvas  esculturais  que me  associam
a  momentos  de tempos tropicais, de calores morenos,
asfixiantes, reconfortantes e sensuais.
Sabor na boca pensamentos na mente, de café em café
me transporto para  outros horizontes,  outras gentes que amo.
Que amarei  eternamente.

Emílio Casanova, in “Livro Segundo”

domingo, 13 de novembro de 2011




Salvemos o amor

Já não há nada igual ao que era dantes.
Todos os dias acontecimentos nos ultrapassam velozmente,
tudo o que é simples esboroa sem darmos por isso.
Chovem notícias em profusão. Pouca vida têm
pela velocidade da corrente em turbilhão.
Tanto que temos para conhecer mais ignorantes vamos ficando,
ansiosos por não controlar  o tempo vamos adoecendo.
O mundo líquido dos nossos dias esvai-se em comunicação,
telemóveis  internetes  redes sociais,
em casa  no carro no trabalho.
Os dias não têm mais vinte e quatro horas. Valores não têm mais valor.
Acontecimentos e atos consistentes não têm espaço,
nem tempos seguros.
Tudo flui em voracidade daquilo que já foi.
É urgente salvar o amor.
A vida não pode ficar reduzida em solidão e dor.

Emílio Casanova

sábado, 12 de novembro de 2011

Sem saber onde estava acordei estranho,
Situei-me vogando no espaço
Das paredes do quarto.
Encontrei-me nos braços dum sonho.
Como possível  imaginar viver dentro
Da pele duma mulher,
Ser carne em sua carne,
Alma em sua alma,
Corpo dum corpo no seu corpo,
Estranho na distância
Dois em um... em dois  num tempo,
Ela eu... eu ela ... na longa ausência.

Emílio Casanova

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Acordei dormi acordei
Não te vi

Tua figura invadiu minha mente
Meu coração sorri
Docemente
Nos teus seios adormeci



Emílio Casanova
tudo fizeste para adiar a dor
mas sabias que mais tarde  causar dor irias
estava escrito como diz alguém
nas veias das tuas vidas
sempre circularam em direções inversas
chegadas partidas estradas estações
aeroportos aviões...
abriste corações com olhos cintilantes
bloqueaste  ilusões nas mãos frias de auroras
de  manhãs escondidas em nuvens escuras
com chuvas de tristeza...
partiste de vez na certeza  inquestionável de ser a última
sim  porquê adiar a partida
se a estrada era estreita para os dois
foi bom enquanto durou alguém diz
discordo porque será bom  
agora que não dura mais
sigo meu destino vais por onde vás
num caminho que a dor procura amor
para  cura
está escrito como alguém diz
só fica só quem quer

Emílio Casanova
com amor me deito... me levanto... 
sem amor me atormento ...me desiludo...
me desencanto...

Emílio Casanova
 Achei que estavas boa para colher
 qual fruto lindo e saboroso
 hummm...então...colhe-me provocaste-me
    como uma terra preparada para a semente
    que se abre com o calor do sol e a frescura da rega...
    se acomoda com o prazer do esgravatar de pássaros que
    a penetram para se alimentar
    que ri quando o arado a rasga profundamente
 na busca do ato universal de desvirginar...
    lindo poeta o que dizes...isso é poesia acrescentas
    da comunhão da semente com o tempo de reprodução
    o ciclo da mãe natureza se repete vezes sem conta
    infinitamente
    enquando o amor estende o seu manto sobre os amantes
    chove mansamente sobre a terra revolvida
    amada amassada pelo corte que lhe provoca dor e prazer
f   fizemos amor com chuva sobre nossos corpos
    ao findar do dia com o cheiro da terra molhada
    num brotar de aroma de nossos sexos a renascer

                    Emílio Casanova