Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 5 de novembro de 2011

No azul da noite

Recolhido nos braços lânguidos pacíficos da noite,
esponja absorvente de angústias e mágoas
longe do quotidiano de sons pregões últimas horas,
de montes de ferro plástico vidro circulantes
ruidosos e stressantes do dia,
resfastelo-me no velho sofá de couro amaciado enrugado
por corpos ancestrais que nele pousaram, pai e avô.
No calor em rodopio das chamas da lareira num canto
do meu casulo,
recupero para a metamorfose eterna da noite dia.
Liszt com sonho de amor,
Mozart em  pequena serenata noturna acompanham-me numa taça
de alentejano tinto.
Lembranças dançam nas labaredas trazendo olhares sorrisos
gestos incompletos.
Faz-se a noite azulada como do pavão cauda,
num fogo que não me aquece ponho as mãos
aguardando o sol chegar num novo dia.

Emilio Casanova
férias

voando entre o mar e o ar tão leve como a espuma
num carroussel de movimentos doces de algodão azul
rodeado de aves e aves coloridas de mariposas floridas
palmeiras exóticas e coqueiros vermelhos
aterro abruptamente num pesadelo chão
estremunhado acordo nas covas amareladas dum colchão
que porra esta, tão bem que ia, logo agora no melhor da festa
tictac do relógio pôs me em ação com a breca dez prás dez
corre paulo corre ólha ó patrão
banho barba café fruta e pão
longo caminho  matinal
que merda de sonho fui eu descortinar
agora que me lixaram a verba do subsídio de natal

Emílio Casanova
Bela

Bela,  desaparecida nos braços
dum amor que não quer
beleza mimada nas passerelles,
vida duma linda mulher
 rodeada  idolatrada
nos corredores do poder,
na tv na novela
subiu ao altar da montanha
soube pouco envelhecer,
hoje na crise da vergonha
reduz-se numa zona da cidade
a um  amor qualquer.

Emílio Casanova

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Poema de homenagem a C.Drummond de Andrade 

(Amor Natural)


Quero

Quero morrer em ti
No húmido delicioso
Da tua terra
Uma morte de sonho.

Quero-te por baixo
De quatro, por cima
Quero-te em qualquer
Circunstância.

Advinho-te felina
Esguia e doce
Magra sensual
Um fruto agridoce.

Emílio Casanova "Coisas do Coração".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Princesa

Sei que tens nobreza em ti
não porque te conheça
até nunca te vi
pelo que escreves
pelo que sai da mente
através dos teus dedos
te reconheci nobre
inteligente capaz
muito mais que muita gente
que se faz  importante
tens a aristocracia no porte
modelas no corpo teu gosto
és uma princesa de hoje
na pele marcas teu reino
nos cabelos teus anseios
de cavalgar o sonho
tens poder no olhar
firmeza no querer
serás minha raínha
para todo o sempre
minha mulher...

Emílio Casanova

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dentro de la terraza marquesina
Veo las hojas de otoño como se fuera invierno
una simbiosis de la sinfonía de la naturaleza.
una parte de la vida se ausentó de este jardín,
algunos otros se escondieron otros se defendieron
otros más buscaron los aleros.
Tristeza del fin de tarde a morrir el dia
angustiante sin sol ni animal
Siéntese avanzando la melancolia en la oscuridad
tiempo degradante en principios del invierno,
siendo la temporada de otoño, en noviembre.
Nos llevan a perder la esperanza despiadada
con comportamientos basados en duda
num pasado que seguirá el camino trazado
los plazos del tiempo en los surcos de la piel.
Destino sin futuro que atraviesa los ojos,
e toma el corazón apertando con ganas
colonization no ... nunca, ni el invierno
ni el otono o el verano ...
Por supuesto que el infierno no, nunca!

Emilio Casanova
No interior  desta marquise esplanada
vejo as folhas de outono invernarem
numa simbiose de sinfonia da natureza.
Ausentou-se parte da vida deste jardim,
uns esconderam-se outros defenderam-se
ainda outros procuraram beirais.
Tristeza de fim de tarde no morrer do dia
fica mais angustiante sem sol sem animal.
Sente-se o avançar da melancolia que nos invade
marcante  temporal  num prematuro inverno,
num  novembro ainda estação outonal.
Toma-nos a saudade impiedosa real
cimentada na dúvida de comportamentos
passados  que seguirão caminho traçado
nas linhas do tempo,  nos sulcos da pele.
Irremediável destino que cruza  nossos olhos,
agarra um coração em aperto simbólico.
Submissão não...nunca,  nem ao inverno
nem ao outono nem ao verão...
inferno não, nunca !

Emílio Casanova