Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Amor de novo

pensei que tinha guardado
as fotos mais belas
procurei-as em todos os lugares
abri e reabri gavetas
busquei em livros e prateleiras
não as encontrei
fiquei triste entediado
sobre a mesa de trabalho
cabeça entre as mãos
revi em imagens rápidas
toda  nossa relação de amor
dor  sofrimento
queria-te sempre só para mim
a passos de egoísta fui-me 
afastando de ti...
hoje voando nas asas de uma nova paixão
viajo com a liberdade do vento
na beleza d'um amor partilhado
nas entranhas espirituais do coração
não te vou perder...não
Memórias

Por que ao entrar em casa acender a luz
vem a minha memória sons,  momentos
sentimentos todos  passados  vividos
naquelas salas quartos e quintal ?
Fragmentos em ultra rápidos spots desfilam
móveis aparecem arrumam-se em forma antiga,
vivida,  usada  e somem-se em rápidos
segmentos de segundo mostrando-se a meus olhos,
sons de conversas correm cantos em vida momentânea,
figuras  incontornavelmente queridas vagueiam
cruzam-se em cenários espirituais. Instalados 
para apresentações de segundos.
Todos  que por ali pisaram viveram amaram,
querem aparecer cruzam sem se tocar
sem olhar como se estivessem separados
por películas  cristalinas transparentes iluminadas.
Sinto prazer  e medo no simultâneo tempo da memória
que arma em fugazes  instantes breves
felicidade, desorganizando com marcas
de tristeza profunda  saudades vincadas
no olhar  dum sorriso ausente.
Será um golpe da minha mente  resultante
das datas sociais estabelecidas ?
Sentimentos lembranças saudades sempre  presentes
envolvem e dirigem o pensamento sobrepondo-se
ás ausências.

Emílio Casanova

domingo, 30 de outubro de 2011

Eterno

Lagos profundos teus olhos,
cintilantes teus sorrisos...
fazem apetecer entrar neles !
Cristalino e denso teu corpo
referencio na magma terrestre
calor cósmico sol ardente
num invólucro curvo celeste,
prisioneiro.
Aspiro libertar tua alma
numa explosão emocional
que nos transporte para o canto
recôndito do universo,
numa comunhão eterna.

Emílio Casanova






Lagos profundos teus olhos,
cintilantes teus sorrisos...
fazem apetecer entrar neles !

Emílio Casanova

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Doença

Minha casa se transformou
passou a ser tu,
tua febre cai. Termómetro cai
transforma-se em minúsculas
bolinhas cintilantes prateadas
deslizantes no alvo chão.
Minha febre és tu,
no silêncio das noites perdidas
voa o tempo dias contigo,
no  peito criei hospital
dia e noite cuido em ti.

Emílio Casanova, in “Maria”
Infância

Na minha infância conheci
um padre ladrão,
roubava almas,
tinha alcunha de pata larga
e queria que lhe beijasse a mão.
Uma vez mãe manuela pediu-lhe conselho
...que fazer com joaquim estudar ou trabalhar...
...estudar qual quê...melhor é ir trabalhar...
...vai para oleiro....
afirmou padre sem arrepio
que da olaria era senhorio.
Bisavó maria afiançava que ele
no forno da olaria de satanás ardia.

Emílio Casanova, in “ninguém compra”.
2012

Sorri amarelo quando entrei no mercado.
Veio-me à lembrança sem surpresa
uns ministros  da economia e da finança.
Finanças não há. Economia haverá ?
Mas há ministros. Personagens iluminados
na cátedra e nas cartilhas.
Mortais de Portugal.
No rosto de vizinha Zefa não vi economia
nas rugas.
Nas vestes do Ti Paulino vi mudanças,
falta de finanças. Outros vizinhos
outros rostos de mágoa, tristeza,
sinais exteriores de pobreza.
Não vi  Alice  não vi  Coelho
Maravilhas não dei por elas.
Falavam as vizinhas em surdina
almoço ministerial tem valor
de salário mínimo nacional.
Assim não. Vizinhas têm razão.

Emílio Casanova