Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Infância

Na minha infância conheci
um padre ladrão,
roubava almas,
tinha alcunha de pata larga
e queria que lhe beijasse a mão.
Uma vez mãe manuela pediu-lhe conselho
...que fazer com joaquim estudar ou trabalhar...
...estudar qual quê...melhor é ir trabalhar...
...vai para oleiro....
afirmou padre sem arrepio
que da olaria era senhorio.
Bisavó maria afiançava que ele
no forno da olaria de satanás ardia.

Emílio Casanova, in “ninguém compra”.
2012

Sorri amarelo quando entrei no mercado.
Veio-me à lembrança sem surpresa
uns ministros  da economia e da finança.
Finanças não há. Economia haverá ?
Mas há ministros. Personagens iluminados
na cátedra e nas cartilhas.
Mortais de Portugal.
No rosto de vizinha Zefa não vi economia
nas rugas.
Nas vestes do Ti Paulino vi mudanças,
falta de finanças. Outros vizinhos
outros rostos de mágoa, tristeza,
sinais exteriores de pobreza.
Não vi  Alice  não vi  Coelho
Maravilhas não dei por elas.
Falavam as vizinhas em surdina
almoço ministerial tem valor
de salário mínimo nacional.
Assim não. Vizinhas têm razão.

Emílio Casanova
Paraíso

Dos traços esbeltos apelativos do teu corpo
escolho no afago teu traço vertical de lábios grossos
húmidos. Teu traço que une em reta
sexo coração cabeça.
Dos traços do meu corpo traço um traço
horizontal,
que une em reta com teu vertical.
Curva  a reta  horizontal  na reta  vertical.
Doce  busca de harmonia das linhas infinitas
na eternidade ancestral inscrita.
Paixão  carinhos  amor  ligados  por  Eva
da  junção das retas ao coração de Adão.
No paraíso as retas se  queriam infinitas
Em pecado não original. Natural.

Emílio Casanova

Fragmentos imaginários

Dos teus fragmentos imaginários 
em redes de amizade
construí a tua imagem
nos murais. Sempre estiveste em mim.
Rebusquei nas profundezas da minha alma,
nas memórias da minha mente
a tua minha alma gémea 
que me habita
que faz de mim sem ti 
nesta vida um eremita.
Sofro tua física ausência 
com marcas imaginárias da tua presença.
Na esquina dum tempo breve
abraço gestação de esperança
no encontro,
que guarde sonho como ausência.



Emílio Casanova

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

As minhas borboletas

Borboletas não são ovos
Não se fazem omeletas
Borboletas não existem
Coexistem no éfemero
Não são fortes nem fracas
São borboletas
Servem para sonhar
Sorrisos de criança alcançar
São flores que voam
Com todas as cores
Amarelas filhas do sol
Brancas filhas da lua
Azúis filhas de Buda
Negras filhas da noite
Com bolinhas são as minhas
Preferidas
Detesto quem as ama mortas
E as pespegam nos muros
Nas portas
Borboletas não se amam
Vivem-se

Emílio Casanova

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

quando maria vagueia nua pelos corredores
a casa vira galeria
transformam-se móveis cores adereços
secundarizam-se
leveza do seu andar leva seu corpo
levitando na pureza das suas curvas
mais esculpidas pela maravilha do amor
cabelos seios coxas nádegas aguardam
prazer da água que retempere
marcas esculpidas por noite de fervor
fecho os olhos guardando imagens
que pelo dia vão renovando o desejo
de voltar à mulher maria na sua candura
na  pureza do gesto madrugador
de vaguear pela casa espreguiçando-se
na nudez de esplendor

Emílio Casanova, in “Maria”.

terça-feira, 25 de outubro de 2011


Natureza

Fecho os olhos retenho as curvas do teu rosto 
plasmadas em fotos sublimes.
Oh, Olimpo de deuses vazio
que pretendem com tanta perfeição
escravizar-me à vossa deusa ?
Instigar-me ao sequestro de tanta formosura?
Dizei não me sufoquem não me manipulem
a beleza que a vossa deusa emana
não é ...sei bem para natureza humana.
Que esperais vós que ela seja vossa ?
Olhem beleza perfeita não é obra de deuses, não.
É obra da perfeição de mãe natureza.

Emílio Casanova, in “Maria”.