Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 22 de outubro de 2011

Joaquim





Joaquim

Eu não sou eu. Já fui.

Agora sei que sou eu...mais um

Mais um permanente.

Que me acompanha.

Que me divide. 

Que me faz ter saudades.

Que me faz chorar.

Agora sei .Soube .

Vivo sinto em mim.

Diferente é o agora.

A gente cresce. Muda.
  
Altera da vida o quotidiano

Enraiza afetos no tempo.

Nunca parte.

Que saudades que tenho de ti.

 Emílio Casanova
Noite
O dia hoje tem cor de noite
instável  inseguro  prenuncia
chuva  relâmpagos trovões
fica-se assim como criança
limitada na sua liberdade de
infância.
Desagua-se então como
formigueiro no shopping
das fantasias onde não há
dinheiro mas luzes e alegrias.
Pseudo, falsas sim.  As verdadeiras
só nos olhos das crianças...
miram ...  remiram
brinquedos doces . Lembranças.
quem veste a veste de pai
natal neste e noutros natais
quem ainda,  haverá quem
à meia noite espere ansioso
pelo sapatinho.
A noite fez-se dia só criança
sorria.

Emílio Casanova

metade

da minha liberdade...sou uma metade
metade é minha sombra
metade é minha luz
que me completam
por ela arrasto melancolias
que me confundem o fim de tarde
onde morrem os dias
metade verso
outra metade inverso
arrastando a noite
aguardo a metade dia

Emílio Casanova

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Instante




Ao levantar os olhos das teclas do computador
pensando nas palavras certas
vi no reflexo do sol pôr
projetado nas capas dos livros alinhados
uma reta dourada com fim.
Alinhavei logo ali a construção
de teorema com curva e reta
nas folhas quadradas na medida certa.
Ao teclar meus olhos perderam de vista
o dourado da reta que partira no sol
para parte incerta.

Emílio Casanova

Outro Tempo

No teu perfume cobri-me de odores de mil e uma noites
Fluí nas ondas étereas da magia de tua cama feita tapete
Percorri florestas incandescentes pelos raios de sol do meio dia
Borboleteei entre pétalas douradas com mil cores
Abri minhas veias aos raios prateados da lua
Cobri-me de mantos e mantos de véus  da via látea
Estrelados  no deserto da escuridão com vaga lumes
Naveguei por entremares  pelo sonho pela ilusão
Voei sem asas nas ondas da tua louca inspiração
Entreguei-me nas tuas mãos trémulas sôfregas de desejo
Gozei  sofrido perseguindo um tempo cruel desumano
Fomos felizes no momento de outros tempos.

Emílio Casanova
Posse


Sufocas-me com teus sentidos 

absorventes


vigilantes desconfiados incrédulos


caminhas no sentido da contramão


interiorizaste nos propósitos a postura 


inflexível dono patrão.


Coloca os inversos na tua mente


percorre-te pelo teu consciente


passado o labirinto terás a coragem 


assumir os erros passados 


passar adiante confiante.


Não te percas no ciúme 


na posse


no só para mim.


Terás eternos amores


se acolheres a dádiva do perdão


liberdade dos sentimentos


frontalidade da verdade,


se não enganares teu coração.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Saudade


Partir deixando parte de si
quem já não o fez sabendo da inutilidade,
ao partir de si nunca ninguém sai.
Abalei sem relógio sem óculos sem telefone
tudo muito afastado para menos doloroso,
não tempo não visão não comunicação. Ingenuidade.
Inteligência  constrangida. Tolhida.
Quem parte alguma vez de si por criatura querida,
se querida  pelo coração,  porque filha de si
fica eternamente descontente.
Saudades tenho meu filho de ti
porque parti destroçando a ilusão
de que a nossa separação não ia doer não.

Emílio Casanova, in “Filhos”.