Noite sem prazer foi tua,
retida horas e horas,
duraste longa espera nela.
Não importa que bebas ou sorrias,
mostres o sol no olhar durante o dia,
numa beleza feliz e aparência sem fim,
se tua vida está contida, livre
e condicionada.
Que esperada ventura aguardas
sem exteriorizares tudo que há em ti.
Quimeras de desejo afloram
nos cantos dos olhos e lábios, belos
como flores de jardim abrindo-se
para todos, e para mim.
Quem me dera, quem pudera,
ter-te mesmo assim numa eterna
Primavera.
Emílio Casanova
domingo, 16 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
grito em silêncio...
nas minhas melancolias de raiva...
por voar de mais...
para onde vou...
nestes horizontes que quero de pétalas...
das tuas mãos macias
e encontro silêncios
e silêncios de manhãs intermináveis ...
frias
das tuas mãos macias.
onde estás...
que não te toco...
embora te sinta no meu sangue
na minha saliva...
que me fazes...que me perco...
sonhando em ti...acordando em mim ..
com sabor agridoce de quem te pertenceu...
inspiras-me...mulher !
Emílio Casanova, in “Maria”
indignus
europa agoniza posta de joelhos
do atlântico aos urais
mamma mia já não há olés
agora temos merkel sarkozy e cia
passos
rajoy no quintal
berlusconi no romano bacanal
barroso nada profundamente
mastigam milhões
milhões
evacuam eurotostões
todos em direita sintonia
emílio casanova
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Avião de lata/1950
Brinquedo de lata digno de pequeno príncipe
avião colorido de meninice
asas largas cinzentas de prata
riscas largas amarelas e verde
da cor da mata.
Sentado nele piloto garboso
capacete castanho óculos redondos
bigode fino sorriso vaidoso
piloto garboso.
Ele volta e rodopia
com seu trem de rodas grossas
na cauda esbelta a cruz vermelha pintada
na ponta das asas bolas encruzadas.
Trumtremtrumtrimtrum
roda a chave da manivela da corda
zumrzumzumrzumrrrzum
descola meu sonhado monomotor
rodando as hélices mágicas.
Ensaia saltos sobre voltas
que voltas...meu pai
como desesperei para o ter
quantas saudades tenho para o ver...
Emílio Casanova
terça-feira, 11 de outubro de 2011
sobressaltos
no horizonte ilha refúgio vem à mente
deliciados instantes de recolhimento
inércia almejada de cansados neurónios
por longa e intensa jornada de meios séculos corridos
construtor de castelos de sonhos frustrados fui
muralhas de fantasia em areias desérticas movediças ergui
templos prazeres orgias rodearam-me em espirais triangulares
olhos ciliares de idolatria ciúme ódio mordomia vi
elevadas pírâmides efêmeras débeis doentes subi
dantescos labirintos em desumanas labaredas atravessei
na procura de puras almas que salvei
décadas sobre décadas caminhando
perfeito Ulisses navegando minha Ilha sem regresso busquei
peregrinando sonhos ideologias a quatro continentes aportei
tudo percorri na procura de mim
agora ilhado em Ilha do sem fim
liberto nas asas das palavras insubmissas da poesia
cálices de sentimentos submersos cristalizados no Tempo
em paz transbordam de mim
Emílio Casanova, in “palavras ninguém compra”.
imagem web google
avião de lata
Pela criança que fui...para todas as crianças...meus versos!
avião de lata
mãe compra brinquedo
não compro não
não há tostão
precisa pão
tua alimentação
mãe quero brinquedo
meninos têm
eu nem pião
não compro não
precisa caderno
livro
lápis
tua educação
mãe choro sem brinquedo
não diz não
não quero pão
lápis e livro
quero avião
joaquim descansa não
pede horas ao patrão
compra ao menino
o avião
Emílo Casanova, in "Coisas da Vida"
avião de lata
mãe compra brinquedo
não compro não
não há tostão
precisa pão
tua alimentação
mãe quero brinquedo
meninos têm
eu nem pião
não compro não
precisa caderno
livro
lápis
tua educação
mãe choro sem brinquedo
não diz não
não quero pão
lápis e livro
quero avião
joaquim descansa não
pede horas ao patrão
compra ao menino
o avião
Emílo Casanova, in "Coisas da Vida"
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