Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 2 de outubro de 2011


no amor
não há retas
nem curvas,
as curvas
ficam retas
as retas ficam curvas.


(Emílio Casanova,"Coisas do Coração")



vou


Por onde voas beija-flor

Sabes

Vou ao encontro de meus amores

Vou saciar-me deles

Empanturrar-me

Extasiar-me

Grudar-me nos afetos

E depois

Voltar a voar

Cheio de amor

Beija-flor

(Emílio Casanova, "Coisas do Coração)

Felizes





Os que amam são felizes,
nascem todos os dias,
a eternidade é o seu universo.

Emílio Casanova, "Coisas do Coração".


amores



Não digas que amas em vão,
abre a tua emoção, não sejas mesquinho,
mostra e ama com todo o teu coração,
não tem perdão um amor pequenino.

Emílio Casanova, "Coisas do Coração

dor


Do nosso mar fiz colchão  belo  étereo,
do luar espelho de recordações,
da brisa  poemas de amor,
tudo agarrei nas
minhas mãos,
olhei  mirei  esperei,
teu rosto de Yemanjá apareceu,
sorriu  e disse,
amor de amor não tem dor
dor da dor do amor é o maior amor
por amor por dor  vive  a 
eternidade,
sorri ...acreditei,
a dor não foi embora. 

Emílio Casanova, "Coisas do Coração"

Poema


Seres poema e não poeta

belo desafio esse

viveres como poesia

desde o dia em que nasceste.

Seres luar e raio de sol

batida de asas de beija-flor

sorriso de mãe com amor.

Seres flecha de cupido

é bem melhor

que escrever poemas de improviso.

Seres seiva de caule florido

olhar de criança embevecida

amor de casal apaixonado

sangue de toiro enraivecido

é bem melhor

que palavras sem sentido

e poema metricamente ordenado.

Para onde vais tu caminhante

se és caminho passageiro viajante

se és nuvem deslizando no horizonte

da Natureza pertencente

voa poesia voa docemente

para os braços do poema amante.

 Emilio Casanova, "Coisas do Coração"

vontade


vontade de comemorar meus cabelos brancos,
veio este anseio sem saber como,
procuro saber este desejo nas ondas
nas gaivotas nas nuvens nas pombas
nas cores d’África por caminhos trocados
nas terras  vistas do sem fim,
nos corredores burocratizados
nas metamorfoses voando como
borboletas brancas voláteis,
nos projetos infinitos inalcansados
num tempo perdido de busca em mim,
dos amigos dos amores das mil flores que ofereci,
das conquistas  dos inimigos que perdi
como areia levada dos dedos pelo vento,
comemorar este branco pensamento
num tempo de cruel insatisfação
transforma-me num ente em transgressão permanente.

Emílio Casanova, in “ninguém compra”.