Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 2 de outubro de 2011

Poesia II


Janela entreaberta no instante ,
flash do momento ,
rompe de improviso
flui absorvente
ocupa o pensamento.
Perene e viva
joga na essência das palavras
poder das emoções,
dos sentimentos dos ódios
das mágoas,
dos amores das desilusões.
Atravessa tempos
continentes  gerações
num mundo sem servidões
sem tropas armas canhões.
Constrói uma teia,
avessa a multidões
abraça o sonho a magia
a imaginação e toca-nos docemente
na vida de cada dia.

Emílio Casanova, in “Coisas do Coração

sou


hoje que é domingo

o sol tranquilo a manhã serena
antes que a noite venha
sem dar porquê
penso repenso para onde vou
o que fui 
e o que tem o que sou


Emílio Casanova

ilusão


trago em minha mão
na palma gravado
curvas lidas por sinas
de incompreensão
sulcos de solidão

trago no meu rosto
rugas de cansaço 
que inundam meus olhos
buscando no seu traço
leitos de rios navegados
cumplices de prazeres 
na memória do tempo

trago na minha boca
o sabor amargo doce
dos teus lábios
feridos de solidão
marcados de ilusão
em ilusão

Emílio Casanova

setembros


 manto solar estende desenrola
seus raios
espreguiçando seus membros
em ruas da cidade
joga o claro escuro das janelas
das portas num esconde
esconde de amanhecer
como convite ao acordar
adormecer

enleiam-se braços
trocam-se corpos numa
simbiose formal de encontro
sem chama num ato de
despedida da cama

maria reticente bem acordada
de insónias visitada
aguarda não por amor
por nada

baila na cabeça madrugadas
de incertezas
criança, livros, escola
roupa
vai e vem estelar que
certezas iluminam
suas alvoradas

pão carne batatas
feijão
casa gás luz
que cava a insónia
para lá da televisão
que tudo se reduz

sentir a vida em contramão
saber o josé desempregado
anita sem abono
salário em redução
diário malfadado

josé não tenho não
amor foi guardado
em armários de aflição
resta rezar a fátima
que me segure o patrão

Emílio Casanova, in “ninguém compra”

Liberdade

Liberdade...
Ao me permitires passear no teu mundo
No teu território
Na tua pele
Na tua casa
Abri meu coração.

Adorei cada momento
Cada onda
Cada porta que abriste.

Prometo nunca  te invadir
Adoro quem és
Quero a liberdade que há em ti
Para sempre.

(Emílio casanova, "Coisas do Coração" )

sábado, 1 de outubro de 2011

de mim IV


fragmentos

meus dias d’infância
eram pobres alegres
e voavam rápido...

pedras e ruas pisadas
em criança perduram
toda a vida...

noites da minha infância
tinham caniço e papão
no telhado...

a noite  nesse tempo
era chicote na face
d’uma criança...

vizinhos  d’infância
são parte da memória...

amigos d‘infância
são para sempre...

Emílio Casanova, in “ninguém compra”

face foto


vi teu sorriso  na  nova foto
teus olhos cintilam semelhantes
a reflexos de gotinhas de água
como belos  esplenderosos diamantes
cabelos cacheados como os teus
lembram à minha memória
quedas de água deslumbrantes
de cachoeiras naturais selvagens
refrescantes
tua face linda brilha seduzindo
no book amigos conhecidos
simpatizantes novos aderentes
poesia como a tua que fala de amor
natureza  felicidade
abre caminho para a liberdade
das  paixões dos poetas
quimeras de novas estações como
primaveras e  verões que aquecem
corações entusiasmados
és bela na tua foto de apaixonar
linda nas palavras escritas
e nas linhas poéticas não ditas

Emílio Casanova, in “Maria”