Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

domingo, 29 de junho de 2014


nunca soube seu nome
se era de planta pássaro ou lugar
sei que tinha silêncio de 
melancolia cintilante nas íris do olhar

talvez maria 
como o oiro do trigo
nos lábios da terra
alentejana

quem sabe isabel
nesse profundo olhar
da sombra do vento
que passa nas tardes
redondas do sol pôr

apertei suas mãos
como se fossem novelos de lã
levei-as aos lábios
como se acaricia água cristalina
da fonte ou a pele suave
de criança

soltei seus dedos
para a liberdade das palavras
que dançaram
na magia do momento

soletrei esses versos
como estrelas
na cadência das batidas
de sangue invadindo como chuva
a planície do ventre

nuvens de seda
brotavam dos lábios
em murmúrios cúmplices
de areia
invadida pela energia
das ondas brancas
da maré cheia

a deusa que julguei ausente
viajou na brisa suave
de espumas livres
nas esquinas da mente

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Foto de Fernando Romão-Seara Alentejana.

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