Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

terça-feira, 28 de maio de 2013


Caminhando e pensando, dirigiu-se à redacção do Notícias da Terra.
- Então foi você que descobriu o homem ? – sussurrou uma voz interrogativa, mal abriu a porta do seu gabinete de trabalho. Surpreso procurou descortinar na sala escura o intruso que o questionou. – Deduzo que seja agente da judiciária – proferiu incomodado com a presença de um estranho no seu reservado gabinete, tentando perscrutar o rosto desconhecido. Tiago não se estava a sentir bem por aquela atitude impertinente do policial, mas era assunto para falar com Francisco, mais tarde.
- E você quem é – interrogou com um tom de voz nada amistoso.
O agente disse quem era pedindo desculpa pela forma pouco diplomática de aguardar sua chegada no seu gabinete.
- Sabe, não costumo encontrar estranhos no meu espaço privado - mas já que está, diga ao que veio, pois tenho muito que fazer - acrescentou com algum azedume na voz.
- Fui destacado para investigar o caso do milionário, cujo corpo você encontrou na praia – disse o policial com ar sereno procurando quebrar o gelo entre eles.
- Ah!, sim, e que quer saber concretamente ? – questionou  Tiago dirigindo-se à janela para abrir um pouco a cortina de forma a ver bem o rosto do seu interlocutor. - Simples questionário de rotina – afirmou o agente erguendo-se da cadeira, levando a mão esquerda à orelha, ajeitando os piercings.  Colocadas algumas questões de rotina que Tiago rapidamente respondeu, o agente dirigiu-se para a porta, - e, desculpe minha intromissão – quando precisar é só ligar - deixo-lhe aqui o meu cartão – exclamou, batendo no seu ombro com um ar familiar.
- Bom resultado na investigação – desejou à laia de despedida. Tiago estava a ficar nervoso e estressado, “até ao momento nada tinha escrito sobre o caso, pouco sabia sobre a investigação, contatos ainda não os tinha, sem ponta por onde lhe pegar “, gritou exaltado : - Francisco venha aqui ao meu gabinete já! – Como foi capaz de permitir a entrada do inspetor – acusou, olhando fixamente o jovem, que nada amedrontado se limitou a exclamar que não tinha autorizado, ele é que se tinha feito convidado e entrou diretamente sem pedir licença. “Que descaramento têm estes jovens , e a forma como se apresentava vestido e, seu corte de cabelo , pensava Tiago olhando par o seu colaborador com um olhar fixo tentando vislumbrar algumas semelhanças entre ele e o policial” – Por acaso conheces o tipo ?- disse com um ligeiro sorriso trocista.
- Não é dos meus relacionamentos, conheço sim uma estagiária com quem às vezes faço sexo – respondeu sem hesitações.
- Uma estagiária, na delegacia ? – questionou com alguma ansiedade.
- Uma estagiária, sim, na delegacia – respondeu Francisco.
- E só agora me dizes ?
- Porque dizer da minha vida sexual ao meu chefe ?- exclamou com um enorme sorriso. – Por acaso você me diz a sua ?- disse Francisco com ar trocista.


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