Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

terça-feira, 27 de novembro de 2012



(Diálogo entre o poeta fingidor e sua musa leal)

Belo poema, por onde andas ?
A me enganar...?
Outras musas a procurar?
Excelente descrição do teu caráter,
como lamento ter visto tua alma semelhante à minha...
quem sabe tenha visto apenas o meu reflexo. 
Sabes poeta :

sou teu contrário,
teu oposto
teu avesso,
a criança que me habita é fiel e,
sabe muito bem o que quer e onde chegar !

Ahahaahahah...
Como vais bela e segura linda musa,
digo-te sinceramente : não és o que pensas que és...!

Sou!
tu que não me conheces...me julgas fácil
por ter me entregue tanto...
acreditado tanto...e,
isso
só prova a minha fidelidade...

Com essas certezas arrogantes, minha musa,
ainda vais ter um longo caminho a percorrer
nunca conseguirás perceber o que existe entre nós...

Já percebi o que existe entre nós
e não sou arrogante...poeta fingidor,
apenas estou acreditando naquilo que estou vendo...

Minha musa linda:
talvez daqui a 30 anos
compreenderás,
mas levar-me-ás sempre contigo...porque sou teu poeta,
o preferido.

Sim louco, poeta fingidor.
Compreenderás muito antes disso,
embora tarde, já muito tarde.

Adeus bela musa
que o teu afastamento te conduza
àquilo que queres ser...e,
que meu silêncio e afastamento sirvam para isso.

Da mesma forma que meu silêncio e afastamento te traga melhor entendimento...
embora tu já saibas o porquê de tudo isso.

Adeus musa,
é muito importante para mim os versos...
não faltes a essa promessa.

Não faltarei,
siga confiando em mim...
pena que não posso confiar mais em ti...
depois de tantas falsas promessas,
seu fingidor.

Sabes, jovem e esbelta musa...um velho agarra-se às memórias...
às lembranças e às saudades...
não vou dar-lhes a luz do dia...vou guardá-los.

Tu saberás como viver...velho louco,
já sabes...há muito já escolheste,
assim que prontos enviarei o meu amor de musa
não faltarei com a promessa que fiz,
não é do meu feitio
costumo saber o que quero e,
ser comprometida com as coisas e pessoas,
velho poeta fingidor.
Felicidades,
muitas, em todos os teus momentos...
creia, é meu desejo sincero
que encontres outras musas
tão dedicadas como eu.
Por mim vou mergulhar...
com as asas bem abertas e,
olhar fixo no infinito...encontrar um jovem poeta
não fingidor…não traidor.
Adeus...

Sou o maior infiel...sarraceno...
ahahahahaahaahah!!!

Agora irônico...
ironia não é digno de sábios...
meu velho.

Menti-te...não sou sábio...(gostaria de ser)...foi mais uma mentira...
para te enganar...abusar...usar...
mas fica sabendo que ironia é própria
de sabedoria.

Então, me enganaste...usaste, abusaste...que pena!

Segundo "tu", musa...eu sou isso tudo...e
talvez mais.

Não...segundo tuas próprias palavras e atitudes...

Ah! Por isso ...(segundo "tu")...mereço ser satanás...
vai...queima-me na fogueira...atira-me pedras...lincha-me...vai!!!

Tu estás te auto-flagelando, poeta
estás colocando palavras em minha boca...
estás a castigar-te...estás com raiva.

Vai...veste a "farda"...põe o cacete na mão...viseira na cabeça...e mata-me com bastão...
musa castigadora.

Pára...estás me machucando!

Sim...e tu...alma pura? Não?

Não. Sou impura, imperfeita,
apenas me entrego, amo..quero, desejo...
tu me deixou triste...sempre acaba me deixando triste!

Sabes musa linda…não tenho culpa da tua prisão...

emilio casanova, in "No jardim dos deuses"
ilustração: foto google.

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