Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

terça-feira, 29 de novembro de 2011





Na encosta diminuta e suave que avisto de minha casa,
segue a estreita estrada marcada pelas oliveiras,
cobertas agora de brilhantes frutos negros que mais
tarde iluminam nossos corpos e nossas almas.
Vejo  meus amigos elegantemente vestidos
de negro como sempre com sua gravata colorida,
seus bicos laranja se destacam e debicam
na terra escura esverdeada coberta de frutos.
Revoam chilreando na passagem da velha  camioneta
desafiando crianças compenetradas a caminho da escola,
que a hora silenciosa comanda. Os melros sabem.
As janelas já se abriram.  Gatos espreguiçando-se
nos parapeitos espreitam a criançada. O sol sabe
que os anima. Dos vidros da minha janela observo
este bucolismo e silêncio a que pertenço.
Do café na cozinha vem o cheiro distinto envolto
em  fumos de curvas  esculturais  que me  associam
a  momentos  de tempos tropicais, de calores morenos,
asfixiantes, reconfortantes e sensuais.
Sabor na boca pensamentos na mente, de café em café
me transporto para  outros horizontes,  outras gentes que amo.
Que amarei  eternamente.

Emílio Casanova, in “Livro Segundo”

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